Sexta-feira, Julho 29, 2011

um dia comum


embaralho olhando fixo para a janela. Lá a fumaça cinza toma conta, fica difícil ver o que acontece do outro lado da praça.Então tento desembaçar as lentes de meus óculos, um ato repetitivo, frequente inclusive quando passo a não entender. Respiro fundo, e corto o maço. Retorno a olhar pela janela, é difícil saber o que acontece.Levanto e finjo precisar de um cigarro, não fumo, nem roo unhas,ponho a água para ferver. De pé e de corpo inteiro, me deparo com o estranho, uma fresta que se abre entre o cinza, uma luz azul clara bem no fundo delineia um corpo. Apago as luzes, pego o baralho, a água ferve e deixa meus nervos à flor da pele. Na penumbra tiro uma carta, penso em você e tiro outra. Me levanto e ainda às escuras, levo as cartas à janela que tornou-se azulada. Descubro que cartas tirei,e, em um gesto bruto, jogo o baralho para cima e corro para a porta. O azul já tinha se esvaído e parei antes de colocar o pé direito para fora.O cinza me impediu de sair. Ainda não enxergo fora de casa.

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